Wednesday, March 11, 2009

PoemasLeds!






Sunday, March 01, 2009

Remember Glauber

Manifesto Glauber

A História/Estória passada a limpo


Wednesday, February 25, 2009

O rodo cotidiano


Foto: Dj the Lengedary cRc

Era o rodo cotidiano

Era a pistola e a marmita fria

De arroz com ovo frito

O trem lotado e o funk na ponta da língua

Mas não sou avião à toa

Na laje lá de casa

Meninos soltam pipas

E lá no Brasil da Central

O camelo-avião corre azuado

Dos cavalos corredores

Vestidos de preto

E crachás onde os nomes

ninguém consegue ler.


Ras Adauto

***********************

Era o rodo cotidiano
(com Falcao, Maria Rita e o Rappa)




Tv Odia
http://mediacenter.db4.com.br/?id=1047

Monday, February 16, 2009

Um disco para reviver a música do poeta Cacaso


Cacaso foi um grande poeta e amigo que encontrei através da Heloisa Buarque de Hollanda. Na época, 1974, eu era aluno da Heloisa na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que ficava ali na Rua Chile s/n. Nós faziamos parte do dito "Movimento da Poesia Marginal", que foi muito polemico na época. Desse movimento surgiram figuras famosas como Chacal, Charles, Bernardo Villena, Chico Chaves, Ronaldo Santos, entre outros/as. Esse movimento culminou na publicacao da famosa e muito criticada antologia poética "26 Poetas Hoje", que Heloisa editou para uma editora Espanhola que se instalava no Rio de Janeiro em 1975. Sendo o primeiro livro de estréia dessa editora. A antologia 26 Poetas Hoje- marcou época ao apresentar a poesia marginal, trazendo, em plena vigência da censura, o testemunho da geração AI5 e sua dicção coloquial, irreverente e bem humorada. Uma obra clássica para os interessados em poesia contemporânea, agora revista e já em terceira edição. Participam desta edição Ana Cristina César, Cacaso, Torquato Neto, Chico Alvim, Geraldo Carneiro, Waly Salomão, Chacal, Bernardo Vilhena, Capinan, Adauto, entre outros. - Ras Adauto Berlin

Um poema meu dessa Antologia:

Urbanóide

"a mão rápida do pivete agarrou a bolsa da velha
a velha teve um troço y caiu babando na rua
rápido o pivete atravessou a Avenida Rio Branco
duas horas depois o rabecão veio buscar a velha
o sol brilhava insistentemente sobre a metrópolis"


3 Poemas de Cacaso

Descartes

Não há
no mundo nada
mais bem
distribuído do que a
razão: até quem não tem tem
um pouquinho


Fatalidade

A mulher madura viceja
nos seios de treze anos de certa menina morena.
Amantes fidelíssimos se matarão em duelo
crepúsculos desfilarão em posição de sentido
o sol será destronado e durante séculos violas plangentes
farão assembléias de emergência.

Tudo isso já vejo nuns seios arrebitados
de primeira comunhão.


Lar doce lar
(para Maurício Maestro)

Minha pátria é minha infância:
por isso vivo no exílio

======================

"Em 1975 foi lançada a antologia 26 Poetas Hoje. Organizada por Heloisa Buarque de Hollanda, essa coletânea reuniu a chamada "poesia marginal dos anos 70". Esse tipo de poesia começou a se desenvolver no começo daquela década, em pleno auge da ditadura (e por razão) através de textos mimeografados, outros, em offset, livrinhos com circulação bem reduzida e em conversas nos bares mais freqüentados. 26 Poetas Hoje, na época do seu lançamento, causou polêmica e recebeu críticas por todos os lados: a Academia Brasileira de Letras, por exemplo, não conseguia ver nada além de um simples valor "sociológico" naqueles "sujos’ e ‘pornográficos" versos produzidos por ilustres desconhecidos.

O discurso desses poetas, que tanto pavor causou nas ilustres letras brasileiras, era munido de cinismo, despretensão, imediatismo e de uma maneira de se expressar inteiramente coloquial e pessoal, como se o poeta fosse um amigo muito íntimo do leitor. Essas características, aparentemente gratuitas, eram peças fundamentais na construção da sua linguagem. Nessa poesia, a influência de grandes poetas brasileiros e estrangeiros, tais quais Manuel Bandeira e Baudelaire, não aparecia necessariamente em sua forma poética. Essa influência podia ser encontrada através de frases e trechos de outros poemas ou, até mesmo, de nomes desses poetas "colados" entre os versos – como uma espécie de mural onde colocamos as nossas fotos preferidas.

Depois de quase um quarto de século do seu lançamento, essa antologia, está sendo relançada, pela Editora Aeroplano, de propriedade de Heloisa."

(Jornal do Commercio / 19 de fevereiro de 1999)





"O poeta Charles, em artigo publicado no Jornal do Brasil, em 1986, disse que a “literatura marginal” escrita nos anos 70 está balizada por duas mortes: a de Torquato Neto (“e vivo tranqüilamente todas as horas do fim”), que marca o melancólico início, e a de Ana Cristina César (“Estou muito concentrada no meu pânico”), que chama a atenção para o gran finale de sua geração.

Nos anos de chumbo, período da ditadura militar instaurada a partir de 1964, surgiu uma geração de poetas que ficou conhecida pelo nome de “geração mimeógrafo” ou “geração marginal.” Geração mimeógrafo pela característica de produzir suas obras: edições independentes, de baixo custo, comercializado em circuitos alternativos, gerada de mão em mãos – particularmente em bares e universidades. Nesse contexto de ditadura e desbunde é que surgiu o poeta Cacaso.

Antonio Carlos de Brito, ou Cacaso, nasceu em 13 de março de 1944, Uberaba (MG), professor universitário, letrista e poeta. Depois de viver no interior de São Paulo, mudou-se aos onze anos para o Rio de Janeiro, onde estudou Filosofia e, na década de 1970, lecionou Teoria da Literatura e Literatura Brasileira na PUC-RJ. Foi colaborador regular de revistas e jornais, como Opinião e Movimento, tendo, entre outros assuntos, defendido e teorizado acerca do cenário poético de seus contemporâneos, a geração mimeógrafo, criadores da dita poesia marginal, que ganhou publicidade com a antologia 26 Poetas Hoje, organizada por Heloisa Buarque de Holanda."

- Cacaso um Marginal Transgressor

Gilfrancisco Santos
Jornalista, pesquisador e professor universitário.

http://www.revistaetcetera.com.br/21/cacaso_gil/index.html

______________

Domingo, 11 Janeiro, 2009

Um disco para reviver a música do poeta Cacaso

Arquivo pessoal De todas as notícias que dei na última edição impressa da coluna Estúdio, na sexta-feira 9, a que mais me deixou feliz foi a produção de um disco em tributo a Cacaso (1944 - 1987), que, além de poeta e magnífico letrista de MPB, vem a ser também o pai de Pedro Landim, colega do jornal O DIA. Sempre curti a poesia cortante e concisa de Cacaso, letrista de músicas como Amor Amor e Face a Face, gravadas por Maria Bethânia e Simone nos anos 70, respectivamente. O CD, idealizado e produzido por Heron Coelho de seu próprio bolso para reavivar a obra musical de Cacaso, já está em fase final de gravação e sai este ano. Duas gravadoras, Biscoito Fino e Lua Music, já estão no páreo para ter o privilégio de editar o CD Cacaso - Letra e Música. O time de músicos e cantores envolvidos no disco é de primeira e inclui alguns parceiros de Cacaso como Francis Hime, Sueli Costa, Zé Renato e João Donato. Eis a lista de músicas, autores e intérpretes deste álbum muito bem-vindo:

O Terceiro Amor (Francis Hime - Cacaso) - Francis Hime
Dentro de mim Mora um Anjo (Sueli Costa - Cacaso) - Olívia Hime
Triste Baía da Guanabara (Novelli - Cacaso) - Fabiana Cozza
Meio Termo (Lourenço Baeta - Cacaso) - Cida Moreira
Lero Lero (Edu Lobo - Cacaso) - Olívia Byngton
Ribeirinho (Francis Hime - Cacaso) - Olívia Hime
Chega de Tarde (Danilo Caymmi - Cacaso) - Danilo e Dori Caymmi
Eu te Amo (Sueli Costa - Cacaso) - Renato Braz
Andorinha (Novelli - Cacaso) - Ana de Holanda, Novelli e Pií Buarque
Das Dores (Cacaso - Zé Renato) - Zé Renato
Profunda Solidão (Novelli - Cacaso) - Cristina Buarque
Canção do Desamor Demais (João Donato - Cacaso) - Miúcha e João Donato
Louvar (Zé Miguel Wisnik-Cacaso) - Ná Ozzetti e Zé Miguel Wisnik
Clarão (Olivia Byington - Cacaso) - Ana Luíza e Luiz Felipe Gama
Refém (Carlinhos Vergueiro- Cacaso) - Carlinhos Vergueiro
Amor Amor (Sueli Costa - Cacaso) - Célia e Nelson Ayres
Dono do Lugar (Edu Lobo - Cacaso) - Cida Moreira
A Fonte (Nelson Ângelo - Cacaso) -Nelson Ângelo e Joyce
Tristorosa (Villa-Lobos - Cacaso - Amélia Rabelo
Face a Face (Sueli Costa - Cacaso) - Sueli Costa

http://odia.terra.com.br/blog/estudionline/

Foto Cacaso: Arquivo Particular

Monday, February 09, 2009

Eu quero é Mel!


Foto: Ras Adauto Berlin

eu quero é mel
melado maná melancia
eu quero é o movimento
samba no pé alegria
não quero pulgas carrapatos
ou percevejos
na minha cama bem dormida
ou sugando a minha pele preta
nem vampiros rondando
minhas noites voluptuosas
beijos virtuais? – depende
eu quero é carne pura
amor de agito presente
sonhos que se dissolvem
no vinho e numa bela buceta
êxtase palavra solta
pásssaros da madrugada
a caminho do norte

eu quero é mel
morte súbita
prazer refeito nas horas
colapso viscoso
entre as pernas
daquela garota funk...

Saturday, January 31, 2009

Natureza Naturalmente


índia da raposa serra do sol -
http://tvecologica.wordpress.com/2008/08/


naturalmente
nós indios olhamos a natureza
como a natureza
nada a ser explorado
nada a ser vendido
nada a ser destruido
simplesmente
n a t u r e z a
nossa casa
e para onde voltamos
o sol brilha
sobre a nossa natureza
mas na raposa serra do sol
juízes de brasília
decidirão
se a natureza
seria mesmo nossa
enquanto serras elétricas
avançam em outras
naturezas da amazonia
e nossos parentes
vão à Belém do Pará
no forum social mundial
dar um qualé
na humanidade geral
e no brasil
em natureza particular
e mundial...

Ras Adauto,
Índio Metropolitano Berlin
29.01.2009

Friday, January 23, 2009

Cena de um Baile de Posse


The New York Times

Cena: baile animado e concorrido da posse de Obama.
Uma luz suave se debruça sobre o casal elegante e delicado
que baila no centro da pista. Os dois estão enamorados e felizes, observados por olhos curiosos, embevecidos. Alguns olhares são de inveja.
A cantora Beyoncé canta sublime uma música romantica,
que embala o casal, que ropodia na pista. Uma vez ou outra
Obama pisa na barra do longo vestido branco de Michelle.
Tudo parece um sonho, melhor filme que Hollywood nenhum
pôde realizar.

Michelle se aconchega mais ao corpo do marido e sussurra
em seus ouvidos:

- Puxa, Obama, conseguimos! Valeu a pena essa luta toda,
né, querido?

Obama dá uma bicota leve em Michelle e responde:

- Pois é, meu amor, valeu a pena! Mas tomara que eles
nao atirem na gente...

Pano rápido

Ras Adauto Berlin
23.januar.2009

Saturday, November 08, 2008

Tangará Brasil Dance


Foto: Sonya Cipriano

Uma bela tangará bailarina passou
novamente por aqui
e dancou elegantemente
para mim
E uniu a terra e as estrelas
e fez do mar
coisa nenhuma
e o Brasil era
um Samba em Berlin.

Veja o video-tangará abaixo:

Saturday, October 11, 2008

Um pequeno detalhe dos anjos



Um pequeno detalhe dos anjos
apenas um sopro de música
sútil e persiste
naquela parte religiosa de Berlin
A velha catedral do Dom
recebeu a noite como uma noiva
a lua lá no céu era artificial
mas os anjos brincavam
de contar as estrelas
e vigiar a cidade metrópolis
que fervia lá embaixo!

Wednesday, September 10, 2008

NOTURNA FOTOGRÁFICA



A noite se derrama serena
Em meu copo de vinho
Ao longe vem a música fina
e persistente
de um violino clássico

de luz só uma vela vermelha
que marca o compasso das horas
a calma do instante
e a lembrança de um click
que se refugiou no
inesperado momento

O que sonhas, Menino?


O que sonhas, Menino?

- com anjos alados tocando guitarras
e trombetas no Portão de Brandenburg,
numa algazarra infernal e engraçada ?

- em dragões terríveis de todas as cores
invadindo a cidade e atrapalhando
a rotina das burocracias ?

- no tal Homem-aranha subindo
pelos prédios mais altos de Nova Yorque
perseguido por um Vilão-máquina
que só existe em filmes de ação ?

- ou naquela menininha de trancas
e fitas coloridas nos cabelos negros,
que quase atropelou você com sua
bicicleta azul e seu sorriso
de Fada sininho, apaixonada
pelo Peter Pan?

Afinal, o que sonhas, Menino?

Wednesday, September 03, 2008

A Passista

Foto: Ras Adauto Berlin

A Passista se concentra para entrar em cena.

Mede a sua pulsacao e seu gingado.

Daqui a pouco os pandeiros e tambores

exigirao seu corpo monumental no palco

e todo o publico será tomado

pelo extase de sua beleza

e pelo compasso perfeitode seu samba

e a batucada ganhará o mundo

mas antes que isso aconteca

um click rouba imperceptível

um instante seu

ainda nos bastidores!

A Bela Poesia

Foto & Montagem: Ras Adauto Berlin

A bela poesia passou por aqui
essa manhã
E ainda sinto o cheiro de seu perfume nas coisas
Eu ia matar essa manhã
Num grande espetáculo privado
sem televisão ou jornais
Mas a bela poesia passou por aqui
e ficou por uns instantes
olhando-me com seus olhos de fogo
dança mel e êxtase
Aí eu não quis mais morrer à toa
e toda a minha dor se dissolveu
ao sol e aos lábios daquela
que nem sei o nome direito
e em que país habita


Friday, August 29, 2008

As Donas do Oráculo

 

Elas imaginam que podem prever o futuro
em conchas, borra de café, pedaços de marfim
Elas tão belas e teatrais
Imaginam-se as donas dos mistérios
mais antigos das matriarcas gregas
numa Casa Criativa em Berlin

O Olhar de Leon




Olha-me para seu ponto fixo
Lá onde a lente oportuna e curiosa
lhe observa
Um momento só
e um flash de luz único
e súbito
abre a porta
de um instante
mais do que eterno
Depois observe
esse seu instante
que ficou gravado
num chip qualquer
guardado no fundo
de tudo
Lá onde luz e sombras
se revelam e se
intercomunicam.

Thursday, August 28, 2008

O Retrato


Foto/colagem: Ras Adauto Berlin

O que me olha atrás das lentes
que num piscar de olhos
afunda-me num eterno freeze
apenas um click e a eternidade
é logo ali
eu nunca pensei
numa eternidade digital
ou numa possibilidade
maquiada em photoshop
mas o meu retrato está ali
sobrerano belo e aplicado
como uma poesia
que se refugia
na imagem congelada do meu rosto
apenas um silencio
nos contempla agora
e por trás de tudo
ficou aquele click oportuno
que roubou um instante de mim
e na parede do meu retrato
um espectro de um menino
também congelado em um click
passado e igual oportuno
me observa sensual

Tuesday, July 29, 2008

Tangará Tanz



Um tangará pousou em minha janela
e eu perguntei ao lindo passarinho:
o que fazes aqui, meu amiguinho,
assim tão cedo
e tão longe de sua morada?
E o passarinho, dando uns passos
ritmados e perfeitos, falou-me:
vim aqui para dançar um pouco
pra voce,
antes que seja tarde demais.
E o passarinho dançou e dançou
um perfeito bailarino ali na minha janela
e de repente se foi
e nunca mais o vi
mas sua dança ficou morando lá
dentro de mim
bailando na minha alma
para sempre.
=====================
Tangará é o pássaro bailarino
que também se chama Saíra-pintor
Dizem que é conhecido no Brasil
desde o século XVII, quando um
naturalista de nome Macgrave
se meteu pelos matos de Pernambuco
e Alagoas e topou com os primeiros
Tangarás que se tem notícias.
Os tangarás raramente pousam no chão,
passando a maior parte do tempo
nos arbustos e nas árvores.
Alimentam-se de frutas, grãos,
sementes e insetos.
Hoje estão ameacados de extinção.
O nome tangará vem do tupi tãga 'rá.
Os Guaranís, ainda hoje, reproduzem em suas aldeias
"A Danca dos Tangarás"

Tangará em Berlin é uma Academia e Agência
de Danças Brasileiras...
(Veja o vídeo do Tangará Tanz-Berlin)



Video: Ras Adauto Berlin

Thursday, July 24, 2008

Mãe Beata de Yemanjá lê e representa seus contos em Berlin


Mãe Beata de Yemanjá e o Babalorishá, seu filho,
Murah de Oyá
, Zelador do Ilé Axé Oyá, Berlin

Na sexta-feira de Obatalá, dia 18 de julho de 2008,
a Yalorișa Mãe Beata de Yemanjá leu contos de seu livro "Caroço
de Dendê" e fez uma bela performance, representando um dos contos.
O palco foi o salão do Centro Intercultural Forum Brasil e também Ilé Așe Oyá, em Berlin. O poeta Ras Adauto estava lá e fez essas imagens com o seu Handy (celular).






Foto e videos: Ras Adauto Berlin

Saturday, July 05, 2008

O Cognac Feliz



A noite desceu

com seu negro cavalo veloz

e se dissolveu

em meu copo de cognac


A bela moça

que entrou no bar

parecia saída

de uma magazine


Acompanhei seus passos graciosos

até ao balcão

- para comprar cigarros -

como olhasse

uma fotografia viva

sem nenhuma prega

de photoshop


Tomei o meu conhaque

com o maior prazer do mundo

e chamei o garçon:

por favor, meu bom,

outro cognac!


A noite e seu cavalo veloz

e a bela moça repentina

brincavam dentro de mim


O segundo conhaque

desceu redondo e quente

e eu me senti

estúpidamente feliz

e tranquilo comigo mesmo.


Saí daquele bar

assoviando um samba

até que um tiro

detonou na noite

do meu sossego.

Wednesday, June 25, 2008

Eu nasci das pedras, hoje sou um índio metropolitano!



Eu nasci das pedras
Por isso sou assim duro
como as águas dos rios
e uma onça na espreita
Tenho o gosto de todo mundo
e debaixo de minha língua
mora o sol
Ainda ontem eu era
uma nação indígena inteira
hoje sou um índio metropolitano
e no meu coração
mora o condor dos Andes

Eu nasci das pedras
e me desfolho no ar
como um segredo de pajés
que civilização ocidental nenhuma
sabe decifrar

Eu nasci das pedras
e trago dentro de mim
aquilo que o poema dos Tupinambás
e a flauta dos Kamayurá
marcaram no corpo infame
do Brasil!

Eu nasci das pedras!

Ras Adauto Berlin
26.06.2008