Tuesday, February 28, 2006

Salvem-se quem puder


"Soy Loco por ti America" - Agencia Globo

"Há quem salve o meu corpo n´água/
há quem salve o Salvador!"
- Luis Melodia

Mas quem salva o povo brasileiro?
e se salva, que povo salva?

que dívida é essa para ser salva

se o povo brasileiro nao fez dívidas

nenhuma para serem salvas

e se tiverem que salvar alguma coisa

que coisas serao salvas e ditas

benditas para o povo que espera ainda

ser salvo como aqueles quase afogados

em marés turbulentas

a espera infinita de seus salvadores

que só querem salvar as próprias peles

e seus bolsos já salvos

e bem guardados em cofres

em belos recantos seguros

e livres ilhas-fiscais?


quem salva quem
nessa salvacao
que nao
salva ninguém de nós
que já estamos mais do que cansados

de esperar sermos salvos?

e vamos ter que nos salvar
sózinhos por nossa conta e risco
sobre as salvas de palmas cínicas

dos nossos nao-salvadores

e que ainda acham
que temos que pagar a conta
que nunca contraimos

e que nunca nos salvaram!!!!!.....

Saturday, February 18, 2006

O Padre Pinto da Oxum




Padre Pinto da Lapinha
Jogou dendê na batina
Colocou um cocar de índio na cabeça
E foi rezar a missa de Jesus
Dançando como uma Oxum

As autoridades eclesiásticas de Salvador
Aparvalhadas gritaram:
Esse padre está doido
Merece a inquisição
O hospício
Ou o fundo do inferno
Por tamanha heresia

Mas Padre Pinto
Se maquiando todo
Uma conta de santo no pescoço
Junto com o crucifixo de ouro
Se prepara feliz e decidido
Para ir à Liberdade
Ver o Ilé Aiyé passar

E comenta aos jornais do dia:

- Essa igreja está podre!

............................................
Padre estrela


Paloma Jacobina

Padre José Pinto, 58 anos, é a grande sensação do Verão 2006. E ele não se destacou pelo trabalho de mais de 30 anos que fez à frente da Paróquia da Lapinha, onde implantou uma forma mais aberta de lidar com seus fiéis, de celebrar as missas e até de se relacionar com a mídia.
Padre Pinto virou assunto dos principais jornais nacionais porque resolveu - depois da liberação médica - `soltar´ seus instintos e oferecer um grande espetáculo de dança e figurino a todos que foram conferir a Festa de Reis da Lapinha deste ano. A partir daí, encarou um fogo cruzado com todos os que estranharam o seu comportamento, incluindo a Arquidiocese e o Vaticano.
Pivô de uma polêmica que dividiu os paroquianos da Igreja da Lapinha - uma das mais tradicionais de Salvador -, Padre Pinto foi afastado de suas funções logo em seguida, segundo a Arquidiocese, para "tratamento médico". Na seqüência, ele se engajou na campanha dos seus partidários e participou de caminhadas, programas de TV, rádio e deu entrevistas a jornais. Mas, quando tudo parecia voltar à normalidade, eis que ressurge o sacerdote no Festival de Verão de Salvador para julgar as candidatas à Deusa do Ébano do Ilê Aiyê, e voltar à mídia dando um `beijinho´ em Caetano Veloso.
Essa foi a gota d''água e, `surtado´ ou não, Padre Pinto foi definitivamente afastado de sua igreja. Essa semana, a polêmica girou em torno da sua saída da casa paroquial, que agora será ocupada por outro membro da Sociedade das Divinas Vocações - à qual pertencia. "Padre Pinto já se fantasiou de baiana, índio e até de um dos orixás do candomblé - Oxum. Tudo para aproximar as religiões e promover o respeito entre todos, apesar da diversidade", defende a beata Maria Alves Joaquim, de 56 anos, fã do padre e uma da suas maiores defensoras. Sempre bem maquiado, o padre completava suas performances com danças que misturam os rituais católicos e do candomblé.
Mas, foi só depois do beijo em Caetano, que o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo primaz, cardeal dom Geraldo Majella Agnelo, decidiu afastar o sacerdote de suas funções definitivamente. Segundo uma nota da CNBB no primeiro afastamento - temporário e para tratamento - "o comportamento do padre merecia cuidados terapêuticos". Suas atitudes foram consideradas "fora da normalidade e, por isso, causaram perplexidade entre autoridades, fiéis e participantes dos festejos do Terno de Reis".
Padre Pinto, por sua vez, declarou que seu ato segue as determinações do papa João Paulo II, que incentivou a união entre as religiões. "Quando danço vestido de orixá, não só apresento uma outra cultura aos meus fiéis, como também permito que integrantes do candomblé venham à nossa igreja e se identifiquem com o que está sendo apresentado. Essa mistura é muito forte para ser negada pelo catolicismo", defendeu-se. Quanto à sua saída da paróquia, ele afirmou que só o fará quando o superior da congregação chegar a Salvador e retirá-lo de lá pessoalmente.
***
Mobilização
Assim como recebeu muitas críticas, padre Pinto também mobilizou um grande número de pessoas em torno de sua defesa. Na paróquia da Lapinha, caminhadas foram organizadas pelos seus seguidores, que até ameaçaram não entrar mais na igreja. No artigo que escreveu para discutir a questão, o antropólogo Roberto Albergaria afirma que "o caso (ou a causa) do padre Pinto é o (a) de todos os baianos - bradando pela liberdade das nossas formas de querer, de parecer e de cultuar todos os deuses". Segundo Albergaria, o resto é a "velha triste Bahia travestida de nova terra da alegria". A dona de casa Thelma Vidal, 37 anos, também concorda que o ataque ao padre foi muito grande. Ela aproveita para lembrar que o sacerdote estava na paróquia há mais de 30 anos e que foi justamente assim que a Lapinha ficou conhecida em todo o Brasil. "Ele sempre foi um homem muito próximo da comunidade e dos jovens, por isso temos tanto apreço pelo seu trabalho", concluiu.

Aqui Salvador, Correio da Bahia, 10.02.2006

Thursday, February 02, 2006

A República 2


Innocent by Standers

O Brasil é
Um mafuá de Máfias

Há máfias para de todos os tipos
E para todos os gostos:
Máfias baratas
Máfias remediadas
Máfias milionárias

Rouba-se de um tudo
Rouba-se até a mãe

A Re(s) pública* é privada
O parlamento é privado
As terras são privadas
Tudo é privado
Só o povo não é privado

O Brasil é
Um mafuá de Máfias
Máfias cínicas e históricas

Rouba-se até a mãe!

E salva-se quem puder
Com os 10% da cervejinha!

* Res pública = "Coisa pública"

Obs.: Para ler em pleno Congresso Nacional em Brasília
com entonação pausada de Nelson Rodrigues...
e flautas kamaiurá

Saturday, January 28, 2006

Shortcuts




Pane

Quando dei por mim, meu barraco caiu.
...........

Paisagem inútil

Quando abriu a janela naquela manhã,
o mar não estava mais lá.
...........

No Buraco Quente:

Cheirou, pancou!
...........

Ejaculação precoce

Vai ser bom, não foi?
...........
Cena de rua

Um tapa na cara. Um tiro na testa.
...........

Sócrates II

Tomou a talagada da sicuta e cuspiu grosso no chão.
...........

A Eternidade

Vinte anos depois passamos ali e o velho ainda estava sentado no mesmo lugar, fumando seu cachimbo e remoendo suas memórias.
............

Pequena surpresa no óbvio

Nada de novo sob o sol, só a cabritinha que nasceu essa manha cedo.
...........

Nosferatu IV

Noite alta de lua cheia, uma vontade louca de beber sangue por aí.
...........

Exposicao inútil

O corpo do jovem negro estava caído numa poça de sangue na avenida atlântica;
Ninguém dava a mínima...
...........
Estatística

Esqueceu a camisinha e entrou no positivo.
...........

O cadáver comédia

O defunto no caixão tinha um sorriso cínico, zombando dos vivos que ficavam.
...........

Cesar

Vim, vi, vaiei!
...........

O Clone

Eu? Eu, quem?!
....

Na comunidade de risco

Com o coracao na mão atravessou a favela da Galinha para visitar a avó doente.
...........

O elevador

Ninguém se olhava no elevador. Um ódio oculto viajava entre eles.
..........

A troca

- Quero dar um tequinho aí também...
- Mas depois vou comer a sua buça...
...........

Transito

Sinal vermelho!... e o táxi avançou!.
...........

O Assalto

- POLÍCIAAAA!!!! - que gritou a vítima desesperada.
- Mas, eu sou a Polícia! - disse o bandido depenando a vítima
...........

Tragédia cotidiana

Ninguém entendeu quando Maria botou fogo em João e sumiu no mundo.
...........

O Dandi

Vestiu o parangolé e foi dar um rolé.
...........

A Puta de moda

Desfilava pela Daspu na passarela da rua e sonhava que era a Gisele.
...........

Crime na Classe média

Matou a mãe e foi ao shopping.
...........

Pane juvenil

A menstruação não veio e Helena entrou em pânico:

- Minha mãe vai me esfolar!
...........

Em Londres

O Big-ben bateu as horas e o terrorista acionou a bomba.
...........

Periferia

Os pássaros também cantam nas periferias, entre hip-hop e tiroteios.
...........

Blues fatal

Enquanto o Katrina destruía New Orleans, ele tocava seu blues na velha guitarra, como se fosse pela útlima vez.
...........

O Defunto distraído

E quando deu por si, estava defunto e todo engravatado
num belo pijama-de-madeira.
...........


Modinha

Ela pisava nos astros distraída e ele tinha a cabeça na lua.
...........

Racismo

O porteiro do Copacabana Palace indicou a porta dos fundos para o Preto Doutor.
...........

Almoco de domingo

O Galo da roseira marcou bobeira e virou galo de cabidela naquele domingo.
...........

O Poeta bebado

- A poesia às vezes vomita em cima da gente!...
...........

O Serial killer

- O crime é o creme do criminoso.

E executou rapidamente a sua 367a. vítima.
...........

O Filme

Um anjo pornográfico me beijou na boca e possuiu minha alma.
..........

O Krisna

O universo cabe no meu bolso, disse Rama Krisna,
enquanto virava uma vaca.
..........

Cena bucólica, século XVI

Carioca da gema, Índio de Ipanema.
...........

Na penitenciária

Estuprou a menininha e acabou virando a boneca do pavilhao 12.
..........

O Padre pedófilo
(ou Como num filme de Luiz Bunuel)

Padre Leocádio fazia o sinal da cruz e tocava uma bronha no menino Jesus.
...........


Wednesday, January 25, 2006

Arte Poética


Leon na performance-instalacao "Bolha-d´agua"
ou "a Poética do Mergulho na banheira"


Esquece todos os poemas que fizeste.
Que cada poema seja o número um.
(Mário Quintana)


O poema não se explica
Como não se explica o acaso de um dado lancado
Como não se explica o caos da natureza
Como não se explica um amor repentino
No alvorecer da adolescência de uma menina

Todos querem explicações de tudo
E quando não tem explicação nenhuma
Entram naquela agonia da ignorância
E criam teses absurdas
E assim se criam esses ridículos doutores
Que tentam explicar até o peido
Dado em um elevador lotado
No centro da cidade

O poema não se explica
Como não se explica de repente
O leão amanhecido em seu quarto
No quinto andar de um prédio
Da Vila Isabel de Martinho e Noel Rosa
...................

O que
Dói
Não se
Remói
A noite
Toda
Se abisma
Na mesma
Dor
De sempre
Como um
Buda
Que se medita
Em sua
Própria
Dor
Iluminada
O que
Dói
Dói
O que
Fica
Na verdade
É a
Dor
Original

Ainda bem
Que vovó
Saravou
E a Dor
Virou
Cangerê
De se
Viver

Aquarela do Ilé Aiyé



Entre os espectros das cores
e do mundo preto e branco
surgiu as belezas de todas as matizes
na aquarela do bairro da senzala preta
do Curuzu da Liberdade

e toda Salvador da Bahia se iluminou

É a nossa cor...

Rap: Bagulho Solto


Hoje de manha mataram um delegado!

Pra Sabotagem, Seu Jorge e Paulo Negueba

A Cidade está nervosa
Todo mundo estressado
Hoje de manhã
mataram um delegado
Pra polícia de vingança
Todo mundo é suspeito
Até o trabalhador, coitado
perdeu o seu direito
Saia do barraco pro trabalho
levou um teco no peito
Se voce é da favela
Voce está ferrado
Voce vive o tempo todo
Entre o fogo cruzado
Crianças com escopeta
adolescente com fusil
Na cabeça o Capeta
Esse é o nosso Brasil
Que futuro nós temos
Nessa Comunidade
É mano matando mano
E terror pela cidade
A menina sai de casa
pra se virar na rua
aparece estuprada num beco
enforcada e toda nua
E a cidade nervosa
assiste todo esse drama
uns querem chamar o exército
outros se trancam em casa
se escodem debaixo da cama
e a chapa virou brasa
Quando veem um pivete
pensam logo em assalto
E o menino de só raiva
arrebenta a madame no ato
Que dá um chiligue
em cima de seu salto alto.
(Bem feito!)

Eu resolvi sair de casa
E passear na Cidade
Cantando o meu Rap
Que é uma verdade
Mas eu não sei
Quem escuta minhas rimas e palavras
os ouvidos estão surdos
E não escutam mais nada
A Cidade está dividida
Quem paga essa dívida
E tantos absurdos
De tiros e zuadas
Mas porque essa vida
Na Cidade do Medo?
E tome cuidado
Essa manha bem cedo
Mataram um delegado
e a polícia sangrenta
procura o "culpado"
E a corda sempre arrebenta
Para o lado mais fraco
Que mora lá em cima
No seu precário barraco.

Monday, January 23, 2006

Poemas quase infantis



Jardim

A bela borboleta azul
Suga todo o precioso néctar
Da vicosa flor amarela-ouro
Depois toda avoacada
Pousa por alguns instante
Na ponta da brisa ligeira da tarde
...........

Cena doméstica

O cachorro late na sala
O gato boceja na cozinha
O menino peida no quarto
...........

O Sonho

Enquanto o mingau esfria no prato
A pequena Luciana distraída
Sonha com uma boneca preta
...........

O transito

O guarda apitou
Os carros pararam
E a vaca atravessou a rua
Como se fosse gente
...........

No zoológico

O macaquinho engracado
Imitou o menino
Chupando sorvete
Que o espiava
do outro lado da grade
...........

Manha

O sol como uma bola dourada
Correu mansamente
Pelo tapete azul do céu
Empurrando as brancas nuvens
Para atrás das verdes montanhas
...........

O passarinho Socó

O passarinho comeu o alpiste
E cagou na mesma hora no galho
...........

O melhor mel do mundo

A abelha-rainha convocou
Toda a sua colméia
Para fabricar
o melhor mel do mundo
...........

Ossanha

Um orixá todo verde
se escondeu nas folhas
...........

A fumaca do pajé

O pajé daquela aldeia
Fuma um pito com uma fumaca
Que lhe faz ver
O outro lado de tudo
...........

A bala-puxa

A bala-puxa se dissolveu
Como um sol negro
No céu da boca do menino
...........

Leon e seus brinquedos

Leon acordou de manhazinha
E saldou os seus brinquedos
Ainda da cama
...........

O papagaio e o ladrao

O papagaio falou grosso
E assustou o ladrao
Que entrara pela janela
Da casa de Dona Eulália
...........

O Sapo apaixonado

O Sapo Cururu
Depois que conheceu
A Prereca da lagoa do meio
Só quer saber
Da viola de sete cordas


O Palhaco Picolino

O palhaco Picolino
Que fazia todo mundo
Morrer de tanto rir
Chorava escondido
Quando tinha saudades
De sua infancia querida
...........

O Jaboti e o Coelho

O Jaboti perguntou ao Coelho
Porque ele corria tanto
E nao chegava a lugar nenhum..
...........

O Camelo do Califa

O camelo do Califa de Bagdá
Comeu o relógio de seu dono
Porque queria sentir
Que gosto tinham as horas
Que passavam…
...........

A Velha bruxa e a beleza

A velha bruxa se olhou no espelho
E se achou a mulher mais linda do mundo
Depois foi dancar uma valsa
Com o seu jacaré de estimacao
...........

Minha avó e a sua morte

Minha avó fez os biscoitos
para a viagem
Depois deitou-se
E se foi silenciosamente
Para as terras do nunca mais
...........

O sábado e o domingo

O sábado perguntou ao domingo :
- Vamos dar uma volta por aí?
- Nao posso porque amanha,
segunda bem cedo, tenho que ir trabalhar.
...........

Marina e o Beija-flor

O beija-flor
Beijou os lábios de Marina
Pensando beijar uma flor.

Marina beijou o beija -flor
Pensando beijar o seu amor
...........

O carnaval e Helena

O carnaval passou alegre e frenético
Pela triste Helena
Debrucada na janela.

Um foliao vestido de diabo
Jogou-lhe uma flor
Como uma dádiva.
E saiu sambando como nunca…
...........

O Bigode de meu pai

Meu pai tinha
um grande bigode
Que era o seu orgulho.

Eu nunca consegui ter
um bigode com aquele
Mas herdei o seu orgulho.
...........

Minha mae e a sua flauta

Minha mae chegava ao portao
E me gritava na rua:
- Dautinhooooo!!!

Parecia uma flauta
Doce e aguda
tocando no mundo.
...........

Esmeralda

A primeira vez que vi Esmeralda
Fiquei de boca aberta com a sua beleza

Eu tinha 13 anos e ela doze.

E quando ela pegou na minha mao
- Quando íamos para
O Colégio Barao do Rio Branco -
Cai desmaiado dentro do trem…

Um dia Esmeralda sumiu!


Sunday, January 22, 2006

O Túmulo do Candando Desconhecido


Construcao de Brasília, 1960

A primeira vez que pisei em Brasília foi com o Teatro Oficina de São Paulo. Fazia parte do Coro de Teatro e estávamos lá, sob a direção rigorosa de José Celso Martinez Correia, para uma série de espetáculos do nosso trabalho chamado "Ensaio Geral do Carnaval do Povo". Esse espetáculo retratava do ponto de vista do "rebotalho", a imensa galera da base da pirâmide social brasileira, uma visão anárquica da História do Brasil, apartir do suicídio de Getúlio Vargas. Isso foi em setembro de 1979.

Num dia qualquer, entre os ensaios, fui convidado por uma amiga a visitar o "Monumento ao Candango Desconhecido". Esse monumento era uma "homenagem" a todos aqueles "paraíbas" que construíram Brasília e que passaram anônimos pela vida e deixaram o seu suor e o seu sangue misturado ao concreto da "babilônica brasília" e a política "simpática" e "eficiente"de JK. Assim minha amiga me dizia...

Tudo bem: no carro fui imaginando um monumento grandioso, uma grande escultura de mármore preta, com desenhos de Niemeyer e cálculos perfeitos de Joaquim Cardoso e engenharia de Lúcio Costa.. Pois como só conhecia o "Monumento ao Pracinha Desconhecido", aos mortos brasileiros na Segunda Guerra Mundial, monumento esse pomposamente instalado no Rio de Janeiro, viajei comparando este com o que eu esperava encontrar.

Depois de correr alguns quilômetros em direção à periferia de Brasília, o carro tomou o rumo no meio de um mato e de uma estrada de barro. Chegando à um local que hoje não me lembro bem onde era, descemos e andamos umas boas caminhadas. E de repente a minha amiga me apontou o "monumento". Era uma lápide, igual a essas de túmulo pobre de cemitério, enterrada num quadrado de concreto mal feito no meio do barro e cercado de mato. Na lápide estava escrita: "homenagem ao candando desconhecido". Parei, bocó: - ´É isso?"

Voltei ao plano piloto com uma sensação muito estranha dentro de mim. Á noite, no teatro Galpão, quando estávamos em cena, na hora em que o ator Joaquim encarnava J.K. e aquelas misuras todas, quebrei a rotina da peça e baixei num "caco raivoso" um "Candando Desconhecido e Revoltado". E atropelei o JK na cena. Como tínhamos a manha do improviso, rapidamente o movimento original foi recuperado e a peça seguiu seu rumo. Nos bastidores depois saímos na porrada e o "Candando" estava louco... Demorei dois dias para me recuperar do choque.

Hoje, estou em Berlin, e acompanho em várias mídias, principalmente pela Internet, essa babaçao de saco em torno do "Santo e Mártir" J.K. que a TV Globo apresenta em uma mini-série. E o que mais me espanta são as matérias, artigos e notas de uma série de intelectuais, jornalistas e políticos reforçando o mito, sem o mínimo censo crítico elevado da História, como se a verdadeira história fosse a mini-série. E o "Candango Desconhecido" voltou a rondar-me e a me deixar raivoso.

(Tempos depois, quando me aproximei da União das Nações Indígenas (UNI), ouvi de várias lideranças sobre o massacre sofrido por nações indígenas na região para a construção de Brasília. Como soube também depois das centenas e centenas de mortes sofridas pelos "paraíbas", "baianos" e etc, os "candangos", soterrados sob o concreto, o barro e a política otimista e desenvolvimentista de J.K. E além de suas mortes anônimas, esses trabalhores viviam em regime semi-escravo. E isso a mini-série não conta e nem seus intelectuais bajuladores não relatam. Glauber Rocha em seu último filme "A Idade da Terra" fala um pouco disso.)

E o resto é Bossa Nova, DkW Vemag e geladeira Clímax. E até o Lula quer ser o J.K.!

"Candango neles!!!..."
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Candango, segundo cientistas-biólogos, é um rato, encontrado no cerrado de Brasília:

Rato-candango (Juscelinomys candango)


Classe: Mammalia

Ordem: Rodentia

Família: Muridae

Nome científico: Juscelinomys candango

Nome vulgar: Rato-candango

Categoria: Baixo risco

Características: Recebeu este nome em homenagem ao idealizador da nova capital do Brasil. Oito exemplares desse gênero monotípico só foram coletados uma única vez, em área pertencente à Fundação Zoobotânica do Distrito Federal. A espécie foi incluída na Lista de Espécies Ameaçadas da Fauna Brasileira devido ao fato de não existirem registros adicionais para qualquer outra região do Cerrado. Além disso, a área onde os exemplares foram obtidos se encontra severamente alterada pelo processo de urbanização de Brasília.

Comprimento: Em média, machos adultos medem 140mm da cabeça à base da cauda. A cauda é menor que o comprimento da cabeça e corpo, possuindo, em média, 96mm.

Ocorrência Geográfica: Só existem registros da espécie para a localidade onde os tipos foram coletados em 1960. A região de Brasília é central para o bioma do Cerrado, sendo que o local de coleta (altitude de 1.030m) pode ser caracterizado como campo ralo (campo cerrado, na terminologia utilizada por Moojen), revestido de gramíneas.


http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./especie/fauna/index.html

&conteudo=./especie/fauna/mamiferos/candango.html

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Os trabalhadores, as maos de obra escrava que construiram Brasília, eram os "ratos" Candangos. Fala sério, galera!!!!!



Ras Adauto Berlin,
23.01.2006
visitem: rasadauto.blogspot.com
www.fotothing.com/rasadauto

Wednesday, January 18, 2006

Bandeirianas: Dramas da Nossa Gente


Drama Ululante 1


Carmelita amava desesperadamente Juvenal
Carmelita trabalhava como doméstica
em casa de madame em Copacabana
Juvenal era estivador do Cais do Porto

Um dia Juvenal disse para Carmelita que ia embora
porque estava amando Dulce Maria
uma baiana recém-chegada.

Carmelita sofrida foi consultar
com o Pai Ambrózio do "Arranca-Toco"
que mandou Carmelita fazer um despacho
para Maria Mulambo numa encruza
na última sexta-feira do mes.

Carmelita fez a Macumba
mas... não adiantou nada!

Desesperada por seu amor perdido
Carmelita tocou fogo em Juvenal
e pulou
da passarela 7
na Avenida Brasil.
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Drama Ululante 2
(da minha infância)


A luz fria sempre refletida
sobre a poça de sangue
que se coagulava no chão da cozinha
do barraco revirado

O assassino era um paraíba sarará
a mulher morta, uma negra de Itaboraí.

A gente foi olhar o corpo
caído em decubito dorsal e seminu
exposto para toda a favela do Vintém

O assassino disse ao jornal O Dia
que a mulher o havia traído
com muitos outros homens da favela
aí ele não aguentou a "vergonha"

Ela era muito bonita
e tinha uma conta de Oxum
no pescoço
e as unhas pintadas de azul celeste.
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Drama Ululante 3


- Menino, me dê essa automática!

- Isso é um assalto, tiu!...

- Cadê o seu pai e a sua mãe?... eles sabem que você
está com essa 9mm, privativa das forças armadas?

- Tiu, isso é um assalto!

- Quem te deu essa arma, Menino?

- A s s a l t o, tiu!... O sr. fala muito, tiu!

Pow! Pow! Pow!

- Isso era um assalto, tiu!!!...

Friday, January 13, 2006

D. Love



Dardo Love

Dope Love

Drama Love

Dropout Love

A Poética do Muro














Fotos: Ras Adauto, K36 Berlin, janeiro 2006

A Rosa de Santa Tereza



Eu me lembro dela
tao bela na Lapa
de todos os tempos
eu me lembro dela
desfilando sua fina figura
toda vestida de amarelo
e jóias de bijuteria barata
perfume de maria bonita
o sorriso maior
que toda a guanabara
e me dizia sempre
ser a mais fiel brasileira
a bandeira do brasil
sem sangue vermelho tingindo
o chao do rio de janeiro
eu me lembro dela
subindo o bondinho de santa tereza
e falando com todos
com sua voz de samba malicioso
de fazer inveja à moreira e bezerra
os da silva e outros malandros
ela me dizia ter uma pomba-gira
de centro de rua
por isso fumava cigarrilhas cubanas
e bebia cachaca com mel
e pintava os lábios
de um vermelho
de fazer inveja a mais
vermelha rosa
do jardim de dona manuela
eu me lembro dela
a rosa de santa tereza

Saturday, January 07, 2006

Política Brasileira



Quanto mais prezo
mais desprezo me aparece

Quanto mias rezo
mais assombracao me aparece

Quanto mais lezo
mais corrupcao me aparece

Wednesday, January 04, 2006

O SERTÃO DE SER TÃO


"O Sertão não é pra qualquer um!"

O tempo passa, mas o sertão continua
e é sempre o mesmo e mais nenhum
esperando as benesses de Deus
e a ajuda dos políticos que nunca vem.
Meu bisavô Galdino de Serrinha
enfrentou Satanaz na entrada dos
sertões da Bahia
e morreu de velho no Rio de Janeiro
e nunca deixou o sertão
Ele me disse em menino:
- Esse menino, voce num é tabaréu,
voce é outra coisa que seja;
pois eu lhe digo:
Sertão é para um nunca mais
mesmo que corra todos os séculos
o sertão é de homens e mulheres
que sabem o que ele é
- seca, fome, esperança tarda e peleja

Sertão até Deus duvida!!!!..."
============================

O SERTÃO DE SER TÃO

"Sob a égide de Joao Guimaraes Rosa
e do Vaqueiro Galdinho de Serrinha- Meu Bisavo!"



O Sertao é onde a gente habita
às vezes uma Vida Inteira
O início e o fim de tudo
- De jeito nenhum.


A esperança é seca: Nonada!
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Quando a gente morre
vira tudo:
vira vento ladainha pó de estrada
sussurro na moita assombração de menino
- matemática de não ter mais hora nenhuma.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

De noite
naquele breuzão de não ter mais tamanho
são os grilhos tocando flautas
parabelum de tocaia
escorpiões encalacrados
menino chorando de fome
piadeira de agouro.
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Quando chega a noite
o fim do mundo
fica na ponta da língua

- sal sem comida
sono sem rede.
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Quando chove
ninguém acredita
pensa com pensamento doido
quié delírio de fome
malícia do Cão.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Sertão é como morrer
ninguém sabe muito bem
o quié;
só Deus e a Defunta

Depois se esquece:
vento levou ? carcará comeu?

Sertão a fora - foram todos!

Sertão de dor mais nenhuma:
A b s o l u t a

- Saudade é pra quem tem!...
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Sertão não se escreve:
só sobre-vida
sub-vida.

Até logo mais
mais um anjinho passando ali
nas duras areias.

Deus é servido... mas esqueceu,
Zebedeu...

Viola de 7 cordas dormindo
ao lado do Parabelum

(a Santa é mãe dos ricos...)
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Veio o Diabo vestido num jibão de couro
cravejado de pratas e cheio de anéis de ouro.

- Quem é tu? - perguntou o Diabo ao Vaqueiro
montado em seu Alazão.

- Sou Galdino de Serrinha.
filho legítimo de Maria Chapadão.

- Quem é teu Pai, Vaqueiro?

- Meu Pai é o "Corre Mundo"...

O Diabo, cheio de malícias e más intenções, arrodeia o Vaqueiro
e seu cavalo. Galdino, esperto, bota a mão no Parabelum,
que foi de João Mata-Rindo de Feira-de-Santana.

Galdino, olho com olho no Diabo, pergunta:

- E tu, estrangeiro, quem é?...

O Diabo, sorrindo e cheio de mesuras:

- O de Todos os Nomes e de Nome Nenhum!...

-E tu é de onde, Estrangeiro?

- Sou do meio do Mundo...Bem dali - e o Diabo apontou o Sertão de Cariri.

Suas pratas e anéis brilhavam tanto que cegaram todos os pássaros agourentos da região. Menos os olhos de Galdino, que mantinha os olhos fixos no Diabo.

- E o que qui tu tá fazendo aqui nessas Gerais, meu Capitão - ainda Galdino, já com o Parabelum na mão.

- Vim buscar Almas pra trabalhar nas minhas Lavouras - respondeu o Diabo, dando um risinho fedorento.

- TE ARRENEGO, Capataz!!! Aqui Um não é Escravo do Cão, nem de Nenhum!!!....

O Parabelum de Galdino cuspiu fogo, repetiu, repetiu, repetiu. Balas de ouro furaram o bucho e a cabeça do Medonho, que dando um grito sumiu numa nuvem de enxofre Sertão a dentro.

De testemunhas: um Acauã e o Cavalo Alazão de Galdinho de Serrinha.


Wednesday, December 28, 2005

A História dos Índios de Palmares


A "Aldeia de Palmares", segundo Leon Oranian

Essa história, Leon Oranian, 6 anos, me ditou,
para escrever, dentro do trem -espresso
quando voltávamos de Hannover à Berlin
no dia 27.12.2005


de: Leon Oranian

Era uma vez os índios de Palmares.
Esses índios tinham um Elefante de longos marfins.
E esse elefante era o Dono do Fogo.
Um dia um Cowboy com outros cowboys
queria matar todos dessa floresta de Palmares
dizendo que essa floresta era deles,
porque tinha um cristal muito imaginado
escondido nela;
e também que esse cristal podia mostrar
tudo o que acontecia na Vida.

O Cowboy tinha uma pistola-de-flechas
e queria matar o Grande Chefe de Palmares.
Mas o índio, com seu arco-e-flecha, atirou primeiro
E o elefante falou: "Os cowboys não podem
acertar em você porque você
tem um escudo protegido pelo fogo..."

Tuesday, December 20, 2005

As Lourinhas, a Rapaziada e DiElza Soares


Stop Nazi - Foto: Ras Adauto

Nego é o seguin, como diria o poeta Torquato Neto:
Bato com as maos de veludo nesse Atabaque. Ressoa aonde?
Como é que essa Banda toca? Toca em que Fm aí do Brasil?
Toca em que FMs do Mundo Globalizado?
O Neonazis hoje me olhou no metro com cara de cú.
Fiz caretas pra ele e mandei a merda.
No cú, pardoca neonazis!

Ontem The Wailers , a Banda de Bob Marley tocou no Loft
e fumamos skanks de plantacoes de uma rapaziada holandeza
que era um beleza.
Familyman como sempre nao disse uma palavra,
tocou o máximo e fumou todas.

Como é que essa banda toca?

Estava cheio o show e as lourinhas loucas como sempre
para darem pros Rastas e pros Blacks presentes.
The Wailers tocou todos os hits hinos conhecidos e músicas
que eu nunca tinha ouvido na minha vida. Como sempre clássicos.

As lourinhas queriam invadir o camarim da rapaziada depois do show, mas eram controladas pelos alemaes invocados da seguranca, ao mesmo tempo putos pois as lourinhas deles estavam doidas para arrebentarem qualquer Rasta que passasse pela frente. E segurancas daqueles, muitos deles sao Neonazistas enrustidos, e se pegam um Rasta de bobeira num canto qualquer de Berlin arrebentam com o cara, e ali tinham que protejer os Rastas das Lourinhas Lascívas e fumadas pra chuchu.

O skank era do bom mesmo!!! Nesse ponto temos que tirar o chapéu.
Eu estava lá de "reporter" e nao quis nenhuma lourinha daquelas, pois já estou de saco cheio dessa história.

E os caras sequestraram a minha fotográfica digital e nao pude registrar os acontecimentos, mesmo dizendo que eu era amigo do Familyman. Falei pro Familyman depois : "Po, Brother, prenderam meu aparato fotográfico lá na entrada". Familyman só disse; -"Yeah!" - e me passou o trolhao cheio de fumaca que inundava tudo na regiao.

Saí dali azuado depois, recuperei a minha digital fotográfica e ainda pude ver várias lourinhas impertinentes querendo arrombar as portas do camarim da Rapaziada. Na saída encontrei uma galera que ia nao sei pra onde, continuar o agito, me recusei ir junto: - "Ih, carioca, qualé, tu tá em Berlin, vamos nessa". Olhei em volta e tinham várias lourinhas daquelas chapadas juntas no bonde. Falei: "To fora desse bonde!!!!. Descolei um pouco de skank pra levar pra minha gata e me entoquei no primeiro metro que passou.....
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Di Elza

Quem pode pode
quem nao pode se sacode.
Elza, a Soares
pode e se sacode muito bem
Elza nao tem idade
Tem a idade da música prapular brasileira
Aonde estiver será Elza Soares
O Samba sincopado-coracao do Brasil
Elza nao deve nada a nenhuma cantora norte americana

Eu queria ver um dueto
entre Elza e Billie Holiday

- imperdível para a humanidade sonora...
nem Deus acreditaria
no que estaria ouvindo!!!!......

AQUIDABÃ


O Aquidaba


Olhei o Corcovado e o Pão de Açúcar
domingo a noite
de uma cantareira vindo de Niterói.
(Lia uma carta de Glauber Rocha na Folha de Sao Paulo
e dei-me risadinhas "sinistras"...

Enquanto cruzo os Arcos da Lapa
indo para Santa Tereza
continuei a ler o "Triste Fim de Policarpo Quaresma",
do Lima Barreto:

Rio de Janeiro, ano 1893 - Revolta da Armada.
Caudilho do hora: Marechal Floriano Peixoto
- o "Marechal de Ferro".

(Amanhã quero ver a Baia de Guanabara de outro ângulo
- com os olhos voltados para aqueles tempos das batalhas):

O navio AQUIDABÃ, tomado pela marujada rebotalha e revoltada,
bombardeou por vários dias seguidos
a Bela e Muy Leal Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro,
capital da República.

A maestrina e maxixeira Chiquinha Gonzaga
teve suas músicas censuradas como provocativas e libidinosas para a República
e só não foi presa por ser afilhada de Duque de Caxias
e foi trancafiada dentro de casa
suspeita de colaborar com os rebotalhos revoltados.

No teatro de variedades só resistiu à Guerra Civil
a peça-comédia "O Abacaxi"
descascada por um ator que imitava o Marechal de Ferro
com sua longa capa preta e sua espada sanguinária na mão
- seu contra-ordem era um temível capoeira.

Floriano Peixoto transformou as muralhas
do Mosteiro de São Bento
numa fortaleza de canhões e torpedos
que atiravam no Aquidabã fundeado
na Baia de Guanabara, que era dos Tamoyos...

No início da Revolta estavam ancorados na Bahia do Guanabara
vários navios de guerra estrangeiros como "observadores internacionais":
o cruzador francês o Arethuse,; três navios britânicos: o cruzador Sirius e as canhoneiras Beagle e Racer;
os cruzadores italianos Giovanni Bauzan e Dogali; e a corveta portuguesa Mindelo.
Juntaram-se a essa força internacional os cruzadores alemães Arkona e Alexandrina;
os cruzadores americanos Charleston, New York, San Francisco, Detroit e Newark,;o cruzador holandês De Huyter:
o cruzador italiano o Etna, as canhoneiras Andrea Provana e Sebastiano Veniaro,; cruzador francês o Magon ,
o cruzador britânico Barracouta, a fragata austríaca Zrimgyi e a corveta portuguesa a Afonso Albuquerque...

Aquidabã seria vitima de várias tentativas de bombardeios
e ataques das forcas legalistas do Marechal de Ferro.
Numa delas o cruzador inglês Sirius apreendeu uma lancha suspeita, chamada Joana,
ostentando a bandeira britânica tripulada por um americano, um canadense, um norueguês,
um belga, um irlandês e dois brasileiros, todos mercenários contratados pelo governo do Marechal Floriano Peixoto,
que levavam uma mina para ser presa ao casco do Aquidabã.

Nos fins de semanas
as famílias vinham assistir aos combates
das muradas do Cais do Passeio.
Traziam binóculos, sorvetes, rapé e faziam alegres pic-nics.

As buchas-de-canhões eram os "pés-rapados",
ex-escravos, mulatos desempregados,
brancos fuleiros, gentes dos subúrbios
e das cabeças de porco e das favelas ao redor
- a ralé da Capital
encravada no coração da República Nova...

Muitos foram fuzilados na Ilha do Boqueirão
e seus cadáveres lançados na Baia de Guanabara
dos porões dos navios rendidos pelo Marechal de Ferro.

Os comandantes da Revolta, todos graduados e brancos, foram aliviados.

Aquidabã foi bombardeado e destruido em Angla dos Reis.

O Major Policarpo Quaresma
patriota nacionalista de tempera tupy
- fervoroso admirador do Marechal de Ferro
é setenciado com traidor da pátria horrorosa
por discordar do banho de sangue e da chacina
no presídio da Ilha das Cobras pelas ordens supremas de Floriano Peixoto.

O Major Policarpo Quaresma foi passado a fogo e ferro
numa noite de calabouços e agonias
e seu corpo jogado aos peixes da Baia de Guabanara
que assistia a todo aquele horror tingindo suas águas.

No meu primário, nas aulas de História do Brasil,
o Marechal Floriano Peixoto
era conhecido como "Floriano Pescoço"...

Aquidabã quer dizer "terras entre rios, ilhas, terras férteis e aguadas"...

(Referencias mínimas:
- "Triste Fim de Policarpo Quaresma", Lima Barreto, Edicao Online
- O Encouracado Aquidaba, Paulo de Oliveira Ribeiro, Revista Naval)

Monday, December 19, 2005

Batucada em Berlin


É plantando que a gente se entende!

Até agora nada demais
nessa minha vida acanalhada
sou um personagem alegre
do meu próprio drama

no portao de brandenburg
neonazis me olham com raiva e nojo
e eu sigo com a minha banda de teimoso
tocando um samba rasgado que fiz pra berlin

no metro para kreuzberg
a velha senhora tem cara de panico
e é branca como um cadáver
deve imaginar que eu sou um
perigo terrorista para toda
a sua deutschland querida
perdida de seu antigo traüm (sonho)
e invadida por ousados negros auslanders

por aqui agora tudo é digital
até a vida a poesia e a morte
sao digitais agora
entao eu sou um botocudo digitalizado
em plena europa do século XXI

me de um beijo meu amor
que o bus para alexanderplatz
chegará em 5 minutos
nao se esqueca de cuidar bem
de nosso filho - a jóia melhor de nós

logo mais eu volto e trago flores
vinhos bombons magazines
e algumas histórias engracadas
e poemas safados escritos
em alguma língua estrangeira

e passo a passo passo
cantando meu samba rasgado
um samba rasgado em berlin
para essa sua gente que ri
com os dentes travados
e rugas eternas na testa...
.....................

Cabecas Cortadas





Ao Cineasta baiano Glauber Rocha


Quantas cabecas cortadas
fazem um país como o nosso?

- Foram tantas cabecas
que eu nao sei contar!...